A Organização de Cooperação de Xangai (OCX) está seguindo o BRICS na busca por reduzir sua dependência do dólar americano.
Enquanto o BRICS continuam a fazer ouvir as suas vozes a favor da desdolarização do comércio internacional,Organização de Cooperação de Xangai (SCO) segue o mesmo caminho, anunciando iniciativas que visam reduzir a influência da dólar americano nas transações entre seus membros. Essa dinâmica é indicativa das novas alianças geopolíticas que surgem no cenário internacional, marcadas pelo desejo dos países emergentes de obter autonomia em relação aos Estados Unidos.
Dinamismo da OCS e dos seus membros
A OCS, fundada em 2001, reúne países importantes como a China, lá Rússia e oÍndia, incorporando também outras nações da Ásia Central, como a Cazaquistão, O Quirguistão, eu’Uzbequistão e o Tadjiquistão. Em 2024, o Paquistão e oIrã (já membro do BRICS) se juntou a este consórcio. Esses países, unidos por interesses econômicos e políticos comuns, buscam estabelecer um equilíbrio diante do domínio do dólar no comércio internacional.
Um sistema de pagamento comum: os primeiros passos
Em uma entrevista recente, Zhang Ming, o Secretário-Geral da OCS, anunciou o início das discussões para a criação de uma sistema de pagamento comum entre os Estados-Membros. Esta alternativa ao dólar poderia permitir a facilitação do comércio com base em moedas nacionais, reduzindo assim a complexidade das transações em moeda estrangeira, que dependem predominantemente do dólar americano.
As motivações políticas e económicas por trás desta iniciativa
As motivações por trás dessa busca pela desdolarização são múltiplas. Por um lado, as sanções impostas pelos EUA a alguns membros da OCS estão pressionando esses países a explorar opções menos dependentes de um sistema dominado por Washington. Por outro lado, a ascensão das economias asiáticas, que desejam fortalecer sua cooperação, também incentiva a diversificação dos métodos de pagamento. Portanto, a iniciativa da OCS pode fazer parte de uma estratégia mais ampla para transformar as relações econômicas entre essas nações.
Envolvimento dos setores privado e interbancário
Além das discussões governamentais, a SCO também convida os intervenientes do sector privado, incluindo bancos e empresas, para participar desse processo de desdolarização. Grupos de trabalho foram criados para avaliar como essas instituições podem trabalhar juntas para minimizar o uso do dólar no comércio internacional. A cooperação interbancária torna-se então crucial neste contexto, a fim de lançar as bases para uma rede de transações que não dependa da moeda americana.
Segurança e questões estratégicas
Esse desenvolvimento não é apenas uma questão econômica, mas também tem dimensões de segurança. De fato, ao fortalecer suas alianças, os membros da OCS esperam combater a influência política dos Estados Unidos na região. A organização pretende oferecer uma plataforma alternativa àOTAN e outras iniciativas ocidentais, posicionando assim os países eurasianos como atores-chave no cenário mundial. A desdolarização é vista, portanto, como uma alavanca estratégica para afirmar essa nova visão de mundo.
Conclusão: um passo em direção a uma nova era de intercâmbios internacionais
Diante desses movimentos, a Organização de Cooperação de Xangai está se posicionando como um ator central na desdolarização, oferecendo aos membros uma alternativa sólida aos sistemas tradicionais dominados pelos Estados Unidos. A OCS, assim como os BRICS, busca desafiar a ordem econômica estabelecida, enfatizando valores de cooperação e autonomia. Isso marca o início de uma era em que poderemos ver o surgimento de um sistema bifurcado, onde o dólar americano poderá perder rapidamente sua posição de liderança no comércio internacional para um conjunto de moedas menos dependentes de influências externas.
